Longa resgata a história ancestral deste território antes de se chamar Brasil e será exibido no Museu da Imagem e do Som (MIS) em Campinas e São Paulo, na Rabeca Cultural em Campinas e na Cinemateca do MAM no Rio de Janeiro
“Pindorama”, que em tupi-guarani significa “terra das palmeiras”, é o nome original dado a este território pelos povos originários. Dirigido pelo jornalista Marcos Rogatto, com produção de Patrícia Ogando e realização da Vista Filmes, o documentário reúne 43 depoimentos de pesquisadoras e pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, além de importantes vozes indígenas. A obra lança luz sobre um dado frequentemente ignorado: quando os portugueses chegaram ao litoral brasileiro, entre 3 a 8 milhões de indígenas já habitavam estas terras — enquanto a população de Portugal não ultrapassava 1 milhão de pessoas. Para Pedro Paulo Funari, professor do IFCH/Unicamp, em depoimento para o documentário:
“A questão dos indígenas no Brasil é muito mal encarada historicamente, porque esses indígenas foram considerados selvagens e perigosos”
O documentário longa-metragem resgata a história ancestral deste território antes de se chamar Brasil. “Pindorama — Uma História do Brasil Ancestral” foi produzido com recursos da Lei Paulo Gustavo, através da Secretaria de Cultura de Campinas, o filme apresenta informações escassas na historiografia oficial, oferecendo uma nova perspectiva sobre o passado do país.
A produção visitou importantes sítios arqueológicos e paleontológicos do Brasil como Lapa Vermelha (MG), Toca do Boqueirão (PI), Cerro da Alemoa (RS) e outros, além de importantes instituições culturais do país para realizar uma verdadeira maratona de entrevistas com representantes de universidades e instituições de pesquisa que trazem informações importantes além de curiosidades como o depoimento de Alexander Kellner, paleontólogo e diretor do Museu Nacional, que relata o nome Berthasaura leopoldinae, um dinossauro que homenageia Bertha Lutz, importante militante feminista e naturalista brasileira e alude à Maria Leopoldina, representante da corte brasileira que influenciou a independência do Brasil.
O filme traz uma abordagem original que evidencia descobertas científicas ainda pouco conhecidas do público sobre a chegada e ocupação humana nas Américas, além de revelar diversos achados fósseis não-humanos que remontam a uma ocupação ainda mais antiga desse território: a era dos dinossauros. O documentário, além de todo esse resgate, também traz um tema que vem sendo discutido cada vez mais na ciência brasileira: a repatriação de fósseis retirados ilegalmente do Brasil.
Com duração de uma hora e quarenta minutos, o primeiro longa-metragem do diretor e jornalista Marco Rogatto valoriza a produção científica brasileira e resgata a importância do legado dos povos pré-cabralinos, destacando sua presença milenar e seus saberes fundamentais para os desafios do mundo atual, como a crise climática e os desastres ambientais. A trilha sonora traz cantos nativos na língua originária da tribo Kariri-Xokó. Para a produtora Patrícia Ogando:
“Além de resgatar o passado, os depoimentos convidam a pensar sobre o futuro do Brasil e do planeta. Por isso, agora estamos trabalhando numa versão do filme em inglês para ampliar o impacto e alcance dessa mensagem”.
O documentário revela a rica e pouco conhecida história do território, hoje conhecido por Brasil, antes da chegada dos colonizadores. Através de descobertas arqueológicas e paleontológicas, apresenta os povos originários e os gigantes pré-históricos que habitaram essa terra. Com a participação dos principais pesquisadores, a ciência brasileira resgata a profunda história desse espaço desenterrando vestígios de civilizações e criaturas que moldaram o passado desse território. Uma viagem ao tempo em que o Brasil ainda não tinha nome, mas já era lar de uma diversidade fascinante.

“Pindorama: Uma História do Brasil Ancestral” será exibido gratuitamente em quatro sessões em diferentes cidades do Brasil. No sábado, 29 de março, às 19h30, no Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas. Dia 10 de abril, às 19h, é a vez de São Paulo conferir do documentário com a exibição no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo; dia 6 de maio, às 20h, o Rio de Janeiro recebe uma exibição na Cinemateca do MAM e, por fim, dia 23 de maio, às 19h30, o filme é exibido novamente em Campinas na Rabeca Cultural.
As sessões gratuitas de “Pindorama: Uma História do Brasil Ancestral”, contam com recursos de acessibilidade disponíveis pelo aplicativo PingPlay.
Serviço: Sessão gratuita e aberta ao público. CAMPINAS, Sábado, 29 de março, 19h30, no Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas e na Sexta-feira, 23 de maio, às 19h30, na Rabeca Cultural, Campinas no Distrito de Sousas. SÃO PAULO, Quarta-feira, 10 de abril, às 19h, no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo. RIO DE JANEIRO, Segunda-feira, 6 de maio, às 20h, na Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM).
Ficha Técnica: Pindorama: Uma História do Brasil Ancestral (Brasil, 2025, Documentário, 98 min). Direção: Marcos Rogatto, Roteiro: Maria Helena Portinari e Marcos Rogatto, Produção: Patrícia Ogando, Pesquisa: Ana Marcucci, Fotografia: Joel Camargo e Manoela Meyer, Imagens: Joel Camargo, Manoela Meyer e Wallace Santos, Operação de Áudio e Elétrica: Edvaldo Andriotti, Edição e Finalização: Frederick Montero, Colorista: Fabrício Borges, Direção de Arte / Motions: Wendell Rubio, Drone: Alexandre Resende, Bruno Fenner, Cleito Ribeiro e Manoela Meyer, Direção de Trilha Sonora: Clara Rodrigues e Nicolau Vilas Boas, Músicos Kariri-Xocó: Kawê, Raony, Abyrã, Kayrá Tinga, Locução: Ricardo Bressan e Daniela Ribeiro, Realização: Vista Filmes. Documentário realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura, através da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Campinas.